Quinta-feira, Abril 27, 2006

Estações

Neste banco de jardim
Em que te amei e fui feliz
Chega-me um aroma ameno,
Num vento calmo e sereno,
Que sussurrando me diz:
- Tudo é efémere...

Eu sorrio.
Mas as cores do meu sorriso
Secam-se nas águas de um rio.
Crespados, agora,
Pelo sol, taramelando, delirante:
- Nada é para sempre, nada é constante!

E no meu olhar de descrença
E de (pensava eu) anciã sabedoria,
Vejo como certa a pertença.
O coração chora, todavia…
Folha rubra exangue, a gotícula sentida:
- Nada é certo na vida!

Gela-se-me então todo o ser
Sem cor, sem sangue, sem vida. Sem nada!
O banco do jardim?
Desgastou-se com o tempo, mestre em corroer.
O amor que lá havia?

- Tudo tem que morrer, um dia...

Fotografia e texto: Seeker 2005

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